Sentricon Brasil

Cupins Subterrâneos

Os cupins subterrâneos são assim denominados por construírem seus ninhos no solo. De fato, estes cupins também podem construir seus ninhos em vão estruturais, como: caixões perdidos em edifícios, vãos entre lajes, paredes duplas, ou qualquer outro espaço confinado que exista em uma estrutura, seja ela uma residência, indústria ou comércio.

Por esta razão, a denominação cupim subterrâneo não é a mais correta quando se trata deste grupo de cupins. No entanto, dada a universalidade da descrição (em inglês este grupo de cupins é chamado de "subterranean termite") e a familiaridade do termo entre pesquisadores da área, manteremos a mesma denominação para estes cupins no Brasil. A única restrição reside no fato de que devemos nos lembrar que, além do solo, os cupins subterrâneos podem construir seus ninhos em vãos estruturais. Esta é uma característica que os diferencia dos cupins de madeira seca, cujos ninhos estão confinados à madeira infestada.

mud tube
Um dos sinais típicos de ataque de cupins subterrâneos são os caminhos que eles fazem sobre superfícies de alvenaria ou outro material. Feitos de terra, fezes e saliva, estes cupins constroem verdadeiros túneis que os protegem de predadores, perda de água e outros problemas. 

Outra diferença entre os cupins de madeira seca e os cupins subterrâneos, é que os operários destes podem transitar em outros meios que não a madeira, na busca por alimento. O cupim de madeira seca, ao consumir toda a madeira que o abriga, se não tiver acesso a outra madeira em contato com a primeira, condena a sua colônia a morte. A vida útil da colônia está, assim, ligada à duração da fonte de alimento. Os cupins subterrâneos, podendo sair da colônia em busca de alimentos, não têm este problema, dada a fartura de elementos a base de celulose que se encontram na natureza ou nas proximidades do próprio ninho.

Classificação
Ordem: Isoptera
Família: Rhinotermitidae
Gênero: Coptotermes
Espécie: Coptotermes havilandi Holmgren, 1911.

Descrição
O Coptotermes havilandi é a espécie de cupim subterrâneo invasora de estruturas no meio urbano de maior importância econômica no Brasil.

Dentro da família Rhinotermitidae encontram-se os cupins que mais prejuízos causam à madeira, em todo o mundo. Existem cerca de 45 espécies de cupins descritas e, dentre elas, o Coptotermes havilandi, que infesta estruturas no Brasil. Nos Estados Unidos existe uma espécie diferente, denominada Coptotermes formosanus, que ainda não ocorre no Brasil. Já o Coptotermes havilandi foi recentemente encontrado em um bairro de Miami, uma cidade portuária localizada no Estado da Flórida, no sudeste dos Estados Unidos, fato este que tem causado grande preocupação aos norte-americanos.

No Brasil, acredita-se que o C. havilandi foi introduzido em 1923, através de importações de materiais infestados que chegaram por cidades portuárias. Ou seja, da mesma maneira que ele acabou sendo introduzido nos Estados Unidos em 1996: de navio.

O soldado desta espécie apresenta a cabeça arredondada, de cor amarelo claro, com mandíbulas proeminentes e  são dotadas de um poro localizado atrás das mandíbulas, conectado a uma glândula cefálica, chamado de fontanela. Esta glândula produz um líquido viscoso, do tipo cola, que é usado para defesa, sendo excretado em grande volume (proporcionalmente) quando encontram-se em perigo.

soldado possui
O soldado possui uma cabeça mais avantajada, necessária para sustentar as mandíbulas na defesa da colônia. 

A rainha do cupim subterrâneo pode colocar cerca de 1000 ovos por dia.

rainha
A rainha e o abdome fisiogátrico: o tamanho é resultado do acúmulo de ovos em desenvolvimento dentro de seu corpo para dar conta das milhares de posturas características de algumas espécies. 

Um estudo visando quantificar o tamanho de uma colônia típica de cupins subterrâneos (C. formosanus) nos Estados Unidos, mostrou que, em 8 colônias estudadas em Miami, o número de cupins variou entre 1,4 a 6,86 milhões de indivíduos. Estas colônias apresentaram uma área de forrageamento (área de busca de alimentos) de 162 a 3571 metros quadrados, respectivamente. Operários da menor colônia viajaram cerca de 43 metros lineares à procura de alimento, enquanto os da maior colônia chegaram à distância de 115 metros do ninho em busca de alimento.

Os ninhos são volumosos e, normalmente, quando não construídos no solo, encontram-se em locais ocultos e úmidos tais como porões, caixões perdidos, paredes e lajes duplas, frestas em construções, poços de ventilação e de elevadores, espaços vazios abaixo do pisos, caixas de eletricidade e telefonia, etc. Este cupim não necessita de contato com solo para se desenvolver, desde que tenha contato com a água (há casos de infestação em prédios apenas nos andares mais altos). No entanto, o foco principal pode estar no próprio solo.

Uma das principais características deste cupim é que não estão restritos à peça atacada, podendo infestar domicílios, árvores ornamentais, madeiras em geral (parques, jardins). Árvores ornamentais podem servir de excelentes abrigos para cupins, contendo colônias no interior do tronco ou abaixo das raízes.

Para passar de um local a outro, a procura de alimentos, os operários fazem túneis no solo. Quando se deparam com ambientes abertos, os cupins operários utilizam fezes e partículas de solo cimentadas com saliva, na construção de galerias de comunicação, formando longos túneis que os protegem do ataque de inimigos naturais e da perda de umidade. Estes túneis são o principal sinal de ataque por cupim subterrâneo em estruturas e podem estar camuflados pela infinidade de espaços e frestas que permeiam as edificações, tais como juntas de dilatação, rachaduras, conduítes elétricos e telefônicos, frestas de instalações hidráulicas ou de ar condicionado e prumadas de esgoto, típicas de prédios etc.

Estes cupins são tão vorazes que chegam a fazer 30 a 50 metros de galerias à procura de alimento.Também apresentam um comportamento ávido por espaços vazios, o que facilita a infestação de grandes construções ou instalações como caixas de luz, onde a madeira que suporta as chaves elétricas ou relógios de medição ficam protegidas do ambiente externo pelo vidro colocado nas caixas. O preenchimento dos espaços vazios é rápido e mesmo que não haja frestas, se o reboque se apresentar fresco ou estiver fraco, os cupins podem remover os mesmos da parede e construir a colônia.

Os ninhos são construídos da mesma maneira que as galerias, ou seja com o uso das fezes úmidas que são colocadas uma sobre a outra, formando estruturas tipicamente do tipo cartonado, repleto de galerias internas.

O crescimento da colônia é muito mais rápido do que o crescimento da colônia de cupim de madeira seca. O ninho formado por um casal apresenta, um ano após o acasalamento, cerca de 40 indivíduos entre soldados e operários.

Da mesma maneira que os cupins de madeira seca, quando os sinais de infestação tornam-se aparentes, muitas vezes o prejuízo já é de grande monta, nada mais restando ao proprietário do imóvel que controlar a infestação e consertar os locais atacados.

Por apresentarem colônia muito grande, as revoadas dos C.havilandi são de grande porte, envolvendo centenas de indivíduos. Ocorre normalmente entre as 17 e 20 horas, no início da primavera, quando a umidade favorece (pode no entanto revoar mais tarde). Este período favorável para revoadas, em São Paulo e Rio de Janeiro, se estende de agosto a dezembro.

Danos
Estimativas feitas com o Coptotermes havilandi, nos Estados Unidos, indicam que uma colônia desta espécie, contendo cerca de 3 milhões de indivíduos, pode consumir madeira a uma taxa de 360 gramas por dia. Uma colônia madura de cupins subterrâneos desta espécie pode causar severos danos a uma estrutura em apenas três meses. Desta maneira é imprescindível que seja identificado o quanto antes uma infestação por cupim subterrâneo.

O montante dos danos pode ser grande não apenas pelo tamanho da colônia que está atacando uma estrutura, mas também porque nada impede que duas ou mais colônias estejam infestando a mesma estrutura.


Texto publicado com autorização do Eng.Agr. Msc. Marcos Potenza, do Biólogo Msc. João Justi Júnior e do Biólogo Francisco José Zorzenon, Pesquisadores do Instituto Biológico de São Paulo.